Uma cantilena

O medo, aquele irracional, sempre prefere a noite. Quando estou só, de quando em quando ouço vozes que não seria possível ouvir e então me abrigo sob os lençois, ou finjo que não escutei.  Mas de vez em quando as mesmas soam tão claras que não posso simplesmente fingir que não escutei, como quando o vento as carrega em minha direção; de vez am quando elas soam mais próximas, como pessoas falando ao meu ouvido. Nem sempre dizem algo que consiga entender, e então somente pronunciam meu nome, que se vai esvaindo como água pelas mãos.

Hoje, por exemplo, nada aconteceu, mesmo enquanto fazia minhas tarefas triviais no início da madrugada e o único som que ouvi foi o do silêncio. Contudo, sinto como se fosse apenas um ser vivo desgarrado, vagando pela noite. Sento-me na cadeira e espero, e observo o relógio, e a madrugada está comigo, e meu nome cada vez se aproxima mais, como se fosse uma cantilena.

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