Gaia está se mudando

Não temos muito a comentar, até porque, se o fizermos, os mesmos abririam capítulos e no final teríamos um livro,  o que não quer dizer que necessariamente teríamos leitores; aprendi que quando o que pretendemos dizer em relação a algo se torna absolutamente extenso o melhor mesmo é ficar quieto, enfim deixar que a vida ensine – e não tenhamos dúvida – mais cedo ou mais tarde ela fará isso. Estou pensando sobre a natureza, aquela com n maiúsculo, nossa mãe, e no que temos efetivamente feito ou deixado de fazer.

Falamos muitas vezes nos arroubos da juventude e na sua vontade de justiça, além da evidente vontade de mudar o mundo; em contraponto, as gerações de adultos ou de maduros, ou mesmo além, são pontuadas com a máscara do conservadorismo, da conformidade e da inércia em contestar – imagine desafiar – o que está posto. Evidentemente essa é uma análise extremamente vaga e frágil, porque nem todo jovem é um Che Guevara, nem todo adulto ou idoso é um retrato obscurecido pelo tempo. Se quarenta  anos atrás isso talvez se aproximasse mais da realidade, hoje isso não seria mais possível.

Pois a natureza… tanto se fala, se discute, se aprimora, hoje o assunto bem possívelmente tenha mais força e apresente um interesse bem maior do que o discurso político, já tão desgastado, tão inevitavelmente exaurido. A impressão que tenho é a de que o mundo mudou, não só do ponto de vista predicativo, mas, sim, substantivo, mesmo em substância, e que isso ocorreu de tal modo como se fosse algué – eu ou você – que simplesmente se cansou e está demonstrando isso. Nosso  planeta Terra (ou planetinha, como diria Vinícius) cansou de seus inquilinos estúpidos, como se o próprio Universo, ou, para ser mais modesto, a Via Láctea  tivesse convidado a Terra a tomar uma cervejinha em algum lugar perto de Alfa Centauris e tivesse dito: “Não dá, Terra, do jeito que vai, não é possível. Olha pra você, já apresenta sinais de envelhecimento, daqui há um pouco nem fértil mais vai ser, por obra e graça desses animais que vêm sugando, séculos após séculos a sua energia, até o momento da saturação. Está na hora de cair fora”.

Assim, me vem a sensação de que, após tanto tempo, perdemos a noção do que é básico, saudável e não-artificial. Continuamos sacrificando os mares, sendo cada vez mais predatórios, embora uma pequena parte da humanidade ainda lute e tente alertar que ela, a Mãe Gaia está se retirando, pouco a pouco,e que a orfandade definitiva, cada vez mais, bate em nossas portas.

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