Comando da Madrugada, um outro Brasil

Quando estava na casa dos trinta passei a acompanhar Goulart de Andrade e seu programa Comando da Madrugada, na Band e nos outros canais onde foi apresentado. Goulart fazia um programa múltiplo, entrevistava pessoas cujas profissões eram díspares, advogados, médicos, engenheiros, arquitetos, coveiros, homossexuais, travestis, professores, funcionários públicos, gente do povo, havia todo um Brasil pulsando em situações do dia a dia e nada disso era tomado em tom de espetáculo. Goulart tinha um bordão – vem comigo – que é como iniciava suas reportagens, e criou um estilo próprio que rompeu muitos paradigmas televisivos. Seu câmera era o Capeta, sua sombra e sua projeção.  Era o último programa dos canais e era mesmo de madrugada.

Goulart me mostrou um Brasil desconhecido, pessoas comuns, reportagens excelentes. Acho que foi graças a ele que brotou a paixão por São Paulo, seus cenários, suas gentes. Naquele tempo, não havia tantos recursos tecnológicos, então as pessoas eram como se apresentavam, sem maquiagens, sem efeitos de câmara, etc. Comando da Madrugada não se dedicava às celebridades.

Era um programa muito com a cara do Brasil. De um Brasil menos violento, de um Brasil onde pessoas não eram ícones, eram pessoas, e os programas eram bem mais interessantes e inteligentes. Goulart de Andrade, um grande abraço e, especialmente, grato por tudo.

Anúncios

Um comentário sobre “Comando da Madrugada, um outro Brasil

  1. Nessa mesma época, havia um programa da Cultura Paulista – ele ainda existe, mas não tão interessante como pelos anos 80, chamado Metrópolis. Retirado seu nome de Fritz Lang, a coisa televisiva era muito boa, pondo na roda a efervescência cultural da Cidade de São Paulo, espaço que, nessa mesma época, fui e voltei, chegando mesmo a morar, várias vezes. Era a época de muitas revistas chiques, mas não alienadas, que só circulavam pela Pauliceia Desvairada, de preferência pelos Jardins; era o tempo de Caio Fernando Abreu, morando meio cão sem dono, ora na casa dum, ora na casa de outro, mas jamais abandonando os Jardins, pois noblesse oblige; era também a época do Império Editorial da Brasiliense… Tenho memória, mas não tenho saudade. Cada época tem suas próprias características, pontos e contrapontos, e devemos, mesmo que não gostemos deles, jamais chorar pelo leite derramado. O que passou, passou… Tout casse, tout passe, tout se remplace… Goulard de Andrade não deve ser esquecido, quem sabe?, como o bom Guaraná da Bhrama (nunca sei onde fica o H) ou como cigarro Galaxy? Ao raiar do século XXI, mudaram sua fórmula e ele ficou intragável. Antonio Augusto

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s