Recebendo os meios de comunicação

Foto

E também vi muitos jegues, muitas capivaras, centenas de antas, miríades de insetos, desses pequeninos, quase invisíveis, que te deixam em profunda irritação. No entanto, o que muitos desses pequenos seres apresentam em comum é um discurso que se baseia, quase sempre, no comum, no civilizadamente esperado e na retórica nauseante. Digo isso porque participo de rede social, o que pode ser muito bom quando se quer conhecer um pouco mais do que pensam as pessoas, mas um pouco menos quando se tem a noção clara de que, por ali, inexiste inclusive o tão afamado algo podre no reino da Dinamarca.

Não, tanto no facebook quanto nas conversas do dia-a-dia nada a registrar de muito interessante, e desculpem meus amados leitores se estou sendo no mínimo amargo. Pelo facebook já fui visitado por Cristo, por Maria, pela Madre Teresa de Calcutá tantas e tantas vezes que eles já não suportam mais tanto me ver. Não se trata de uma crítica religiosa, mas de uma mesmice compulsiva. Por isso talvez eu goste tanto dos textos de meu amigo Antonio Augusto Mariante Furtado, muitos e muitos tendo sido recebidos por e-mail. Porque meu amigo está em uma posição na qual não tem absolutamente nenhum medo nem pudor de dizer o que pensa, e não está preocupado com o que os demais irão pensar. Tanto os textos quanto os short movies são pequenas obras de arte. E não pensem que há, por parte dele, concordância compulsória ao que escrevo ou digo; não, não, antes pelo contrário. Mas lê-lo é algo que me renova, que me dá o que pensar, e creio que aí está o segredo de tudo.

Anos atrás, uma amiga e colega minha lá da Chico Mendes me comentou sua desilusão à respeito de uma juventude que não possuía uma cara política, que se alienava cada vez mais do que então ocorria no Brasil, tendo ela mesmo sido uma ativista e tomado as devidas borrachadas do regime militar que alguns idiotas de plantão, a qualquer crise, pedem o retorno. Disse-lhe então que a juventude simplesmente estava ocupada em consumir. Com as manifestações atuais, tive de repensar aquele diálogo, mas ainda é pouco. O sistema tem somente um órgão vital: o bolso. No dia em que pararmos de consumir o que nos impõem guela abaixo, e em que nos dermos conta de que necessidades são criadas artificialmente e começarmos a pensar um pouco mais, as coisas mudam.  Não há corruptos sem corruptores, não há ativos sem passivos, não há crédito sem débito e nem direitos sem deveres que lhes correspondam.

Temos de ser um pouco mais criativos, temos de explorar melhor nossa possibilidade de recebermos criticamente os meios de comunicação, o que a mídia informa e, especialmente, o que forma. Não temos de acreditar em tudo, muito menos em todos. Qualquer hora retorno ao tema. Grande abraço. HILTON BESNOS.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s