Pluralidades

Ser plural é aprender a conviver com o outro que tem a cor de pele, os hábitos, a cultura, o sexo e o modo de exercer sua sexualidade, o grau de instrução, o modus vivendi, o pensamento político/religioso, e qualquer outra instância de pensamento distintas, diferentes e mesmo antagônico sem relação ao nosso entendimento de mundo.

É fácil ser plural? Não, não é. É extremamente complicado, angustiante, chato e por vezes irritante tentarmos ser plurais.

Isso acontece porque, na medida em que crescemos, construímos mundos simbólicos, lógicos, abstratos, valorativos, o que significa que julgamos, determinamos, tomamos decisões, entendemos ou desentendemos situações de vida, e que tais critérios irão depender da comunidade onde nascemos, dos nossos pais, dos vizinhos, dos amigos e de toda uma ideologia e de uma matriz de pensamento que predomina em determinadas sociedades, culturas e que coloca outros pensares em marginalidade. Isso é o que chamamos de paradigma e que, não raro, é pensamento excludente, disjuntivo, que não aproxima outras visões de mundo.

Logo, somos orientados, desde que nascemos, por culturas que nos são impostas. Estamos encharcados, afogados em paradigmas, orientações, noções do certo e do errado, e em um quase manual de procedimentos padrão, que se não são morais, são religiosos ou ambos.

O plural vem e nos diz, contudo, que devemos ser flutuantes, flexíveis, que devemos ter uma visão aproximativa da realidade e, sobretudo, que não devemos receber informações de modo passivo, mas de maneira crítica. Devemos conhecer alternativas que nos permitam, antes de julgar o outro, que por vezes nos parece ameaçador, ter plena consciência de que estamos pisando em solo móvel e, por vezes alagadiço.

A segurança é o padrão, o conhecimento, por vezes não é, especialmente o conhecimento profundo. Cabe a cada um de nós, dentro da complexidade, sermos simples para enxergarmos o que, até agora, nos parece tão obscuro, oculto, ou, pior, irrelevante.

Ser plural é um exercício fácil? Discursivamente é; em realidade, não. Quem duvida?

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