Imbecil: ser ou não ser

Devemos responder a um(a) imbecil? A resposta melhor seria não. Afinal, sabemos que não adianta discutirmos. A questão é que um(a) imbecil é alguém que está acostumado, muitas vezes, a invadir territórios mentais; se o faz conscientemente ou não, isso de certo modo não importa, porque sabê-lo não pára a invasão. Em tais casos, cabe àquele(a) que teve seu território mental invadido decidir se retalia ou não.

De quando em quando pondero e termino não respondendo, pois tenho a certeza de que nada mudará em função disso: nem o fato de me sentir muito aborrecido, menos ainda ver brilhar nos olhos do(a) imbecil um laivo de inteligência ou de bom humor, por moderados que sejam; em suma, sei que responder não é nada mais do que uma perda de tempo e um acréscimo de estresse desnecessário.

Nem sempre, contudo, é possível a contenção. No livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman (mas não só aí), encontraremos o fato de que somos regidos pelo nosso inconsciente, e que podemos, sem um motivo  que aos demais possa parecer relevante  ou digno de discussão, nos deixarmos levar por um trem de emoções (a expressão é do livro citado). Assim como, quando em situação de risco ou perigo iminente nosso sistema límbico dispara, e temos uma descarga de adrenalina que impõe, necessariamente três alternativas, parar, fugir ou enfrentar o perigo ou o risco, sendo tal descarga instantânea, creio que algo assemelhado se dá quando somos colocados perto de um(a) imbecil(a) que explora argumentos estapafúrdios, ou que insiste, maliciosamente em uma estupidez renitente.

Ontem, por exemplo, acossado por profunda estupidez de uma imbecil, reagi. Não sei se o farei novamente, mas como ainda não sou nenhum exemplo de especial controle emocional e tenho lá certas idiossincrasias, como todos, não posso ter certeza que não repetirei a dose, nada homeopática, diga-se de passagem.

Há contudo uma espécie de gradação nos níveis de imbecilidade e de imbecilização. Há pessoas que congenitamente são imbecis e há aquelas que, às custas de um profundo despreparo para conviver socialmente, se tornam, ao longo da vida candidatos potenciais à imbecilidade, as que gravitam, de per si e de modo consciente em um mundo mental em que a estupidez toma a maior parte de suas mentes. Há ainda aquelas que, habitués de tais mudos, nos contemplam, obrigatoriamente com sua falta de perspectiva e de sagacidade. Mas há especificidades.

Há o imbecil (ou a imbecil) que eleva a Imbecilidade e a Estupidez a um padrão que deve ser respeitado por todos. Assim, sendo, há uma certa arrogância na imbecilidade. A pessoa imbecil crê que todos lhes devam justificativas e explicações, que há uma conspiração em marcha contra si, e que os demais devem se comprazer em, de modo submisso, dar guarida a sua imbecilidade, sob a pena de passar por insensível ou por mau educado quem não se curva à sua imbecilidade, que tem como porta bandeira a expressão não entendi. Uma vez aberto esse portal, os demais que se acomodem.

Há também a pessoa imbecil que prefere um outro tipo de discurso “olha, eu sou assim, mas sou, também, bom”, e os demais que se danem. A bordo de uma estupidez pré-concebida, tal representante prefere dizer que aos demais cabe submissão, devendo ser invariavelmente tal hipócrita ser entendido por quem tem o desprazer de privar de sua companhia.

Nos dois casos, existe arrogância e é presumida a submissão ou os indefectíveis agradinhos convenientes dos terceiros. Aliás, a uma determinada quadra, os demais não se importam mais com a imbecilidade, o desrespeito e a arrogância que dá sustento a tais criaturas, que passam a ser tratados como bobos da corte, tolos, pessoas néscias, que, em verdade, é o que são. No entanto, não é assim que se apresentam quando seus interesses são tocados,ou quando, por um motivo qualquer, alguém tenta lhes dizer que parafuso e girafa são coisas distintas. Lamentavelmente todo ou toda imbecil, então, promove um espetáculo de  fundo desagradável e/ou inconveniente. Todo ou toda imbecil se irroga a si próprio (a) um caráter de prioridade. Primeiro vê a si, depois contempla o seu ego e, por último, mercancia com o sentido de culpa dos demais.

Penso que merecem, sim, ser contestados, desnudados em sua estupidez. Afinal, se a estão usando como carta branca para seus destemperos, nada mais pedagógico que mostrar-lhes que os demais sabem que são imbecis. É preciso dar um limite à estupidez, pois ela viceja como uma progressão geométrica. Pelo menos saberá que não estamos alinhados, nem passivos e nem lhes rendemos honras.  É claro que isso tudo provoca um desgaste desnecessário, mas por vezes é indisponível o direito que temos de não aceitarmos tais estupidezas. Enquanto isso, o sistema límbico tudo controla.

 

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