Fraterna estupidez e divina ignorância

ESCRITO EM 27 Julho 2006

Homossexualidade é menos que heterossexualidade: religiosos decidem?

Impressiona como questões sexuais revelam a incapacidade das grandes religiões em se desatrelarem de um parâmetro conservador. Quando as mesmas tratam a homossexualidade como doença ou desvio comportamental, incentivam claramente a homofobia e o fascismo, além de desrespeitarem o outro enquanto ser humano, desincluindo-o socialmente.
Normalmente as grandes religiões invocam as palavras de Deus, Cristo, ou Alah. Que eu saiba – e me desmintam e antecipadamente me desculpem pela ignorância – nenhum D’ELES delegou a determinadas pessoas julgarem e discriminarem outras pelo exercício de sua sexualidade.
Enquanto quem detenha status e capacidade institucional para falar em nome e por conta de qualquer religião mantiver esse discurso discriminatório, estará apenas mantendo um discurso dissociado do humano, do justo e do real.
Enquanto perdurarem tais situações, teremos o desprazer de convivermos com notícias como a abaixo.

Fonte: http://diversao.uol.com.br/ultnot/reuters/2006/07/11/ult26u21878.jhtm
11/07/2006 – 11h00

Ato gay em Jerusalém provoca aliança entre judeus e muçulmanos
Por Jonathan Saul

JERUSALÉM, Israel (Reuters) – Os organizadores do festival gay previsto para acontecer na cidade sagrada de Jerusalém, em agosto, prometeram dar prosseguimento a seus planos apesar da inusitada aliança entre líderes judeus, muçulmanos e cristãos que tenta impedir a realização dele.
O WorldPride, um evento de uma semana com uma parada, conferências e exibições, deve começar no dia 6 de agosto. “Os santuários sagrados de Jerusalém estão em sua melhor forma quando todos os seres humanos da cidade são respeitados igualmente”, afirmou Hagai El-Ad, da Jerusalem Open House, organizadora do festival.
A homossexualidade é um tabu entre muitos muçulmanos, judeus e cristãos, todos com importantes santuários na cidade. Líderes dessas religiões colocaram de lado as diferenças que alimentam os conflitos no Oriente Médio e tentam impedir a realização do evento. Alguns opositores do WorldPride colaram cartazes oferecendo 4.500 dólares para qualquer um que “mate uma dessas pessoas de Sodoma e Gomorra”.
Um judeu ultra-ortodoxo esfaqueou e feriu três participantes de uma parada gay realizada em Jerusalém, no ano passado. “Estamos enfrentando dias difíceis. Tais eventos não são aquilo de que Jerusalém precisa”, disse Adnan Husseini, diretor do Waqf, que administra o terceiro local mais sagrado do Islã.


ALIANÇA RELIGIOSA

O Monte Templo é o local mais sagrado do judaísmo e também é importante para os cristãos. Shlomo Amar, rabino chefe dos sefarditas em Israel, apelou ao papa Bento 16 a fim de que criticasse a parada publicamente. O Vaticano já se manifestou, opondo-se ao evento.
Grupos evangélicos cristãos vêem no festival um “ato calculado e confrontacional pensado para provocar e ofender.”
Autoridades municipais prometeram não ficar do lado de nenhum dos grupos em conflito e disseram que caberá à polícia decidir sobre se a parada pode ou não ser realizada.
Em uma conturbada sessão parlamentar realizada na semana passada em Israel, um clérigo muçulmano disse que, se a parada gay for realizada, Jerusalém corria o risco de ser alvo da ira divina como havia acontecido com a cidade bíblica de Sodoma. “Se vocês realizarem a passeata, vão nos prejudicar e vão prejudicar a Deus”, afirmou o xeique Abu Ali, diante de uma comissão parlamentar.
(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch)

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