Calor em Porto Alegre

2011. Calor em Porto Alegre. Muito. Trinta e quatro centígrados, com aquela característica sensação de estarmos em uma sauna a seco. Estou andando perto do Museu de Artes do RS, no centro. Dobro à esquerda, mais na esperança de evitar o sol do que de qualquer outra coisa. Um pouco mais na frente, uma mulher, o protótipo de uma morena bonita estava por ali, falando ao celular. A hipótese se concretizou, era uma prostituta que logo foi abordada por alguém. Cenas do cotidiano, nada inesperado, nada que não aconteça aos milhares. Passei por ambos, que estavam em uma sessão de negócios, quando notei uma “adolescente”  jogada ao chão,dormindo, parecendo absolutamente drogada. Poderia passar um trator por cima da mesma, e ela nada notaria.

Ela usava uma  blusa, rasgada, na qual um dos seios surgia, não um seio adolescente, não um seio lúbrico, mas o de uma mulher madura. Seu rosto igualmente trazia marcas de devastação social. Durante um bom tempo pensei naquela adolescente. Afinal, como o sistema a classificaria? adolescente, mulher, mãe, pessoa em situação de risco, abusada, enfim… Enquanto me encaminhava para o onibus, o sol queimava. Mas, eu tinha certeza, ela continuava ali, inerte. Talvez, contudo, a jovem prostituta já tivesse acertado seus serviços profissionais. De todo modo, o mundo prosseguia, com o lento ritmo de sonhos e promessas se derretendo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s