O nada é a ausência de um tudo

Nada é a ausência de um tudo, dizem os nordestinos do Brasil, com bom humor, mas com sabedoria. O nada tem massa? Não, filósofo, o nada é a ausência de massa, de temperatura, de pressão, de densidade, de ponto de fusão e de moléculas. O nada, então, seria o vácuo?  O vácuo é uma inspiração, um projeto divino, uma idéia, uma congregação niilista? O que é o nada, e como conseguir uma definição, se ele está no meio da dispersão, no mundo que não está ao nosso alcance? Que é o nada, senão uma pergunta especiosa, senão uma falta de dimensão, senão uma provocação ao ser, senão um derradeiro vazio, um oco?

O nada, sem dúvida, é filosófico; não lidamos bem com impossibilidades físicas, nem com dimensões que não podemos quantificar, metrificar, por em experimentações infinitas vezes até chegarmos a uma lei, filhos que somos da técnica e da linha reta já adivinhada por Descartes. O nada, em tudo parece nos levar à imobilidade absoluta, em que mesmo o tempo oscila e definitivamente pára.

Em 1925, Albert Einstein e Satyendra Nath Bose previram um quinto estado da matéria, que só se manifestaria proximamente ao zero absoluto, que seria a temperatura na qual todos os átomos de um corpo tivessem parado de se movimentar. No entanto, mesmo assim, não deixariam de ter massa, e se há massa há matéria, por evidente.

O mundo mental, os pensamentos, as emoções, tem massa? Estão encarnados aí algumas constantes físicas que desconhecemos, e será bem mais provável que aderindo a outros parâmetros que não os de Descartes, mas nos submetendo mais às leis da probabilidade e à física quantica de Eisenberg e seu  princípio da incerteza, possamos, quem sabe, montados em uma tecnologia exponencial, chegarmos à conclusão de que os nossos pensares, se tem capacidade para modificar algo, mesmo em nós, igualmente possuem alguns referenciais passíveis de serem chamados de grandezas.

O último limite, muito além dos estudos do genoma humano.

De todo, pensar é diferenciar-se do nada, estejamos falando do mundo mental, estejamos cogitando de um mundo imperceptível, adentrando caminhos neurais; muitas vezes cruzamos mares sem as respectivas cartas de navegação. Quando dormimos, nosso inconsciente gera mensagens que decodificamos como sonhos, e somos, em tudo, um antinada envolvidos em mundos de signos, significados e emergencias. O nada é, aqui, uma expectativa, talvez impossível dentro do campo físico e mental.

O zero, os números são criações culturais do homem e o que criamos não vem do nada, senão de uma parte do nosso mesencéfalo e do nosso hipotálamo. Somos um enorme inconsciente coletivo pulsante, uma comunidade que se refrata e, não raro, se desconhece. O não-ser, ainda assim, tem como espelho o ser. Perguntas necessitam de respostas, mas não há respostas sem perguntas. Portanto, há uma indissociabilidade verdadeira entre o que se pergunta e a resposta que se busca. Conforme dizem os sábios, uma pergunta é mais importante do que a resposta que a normaliza. Devemos saber perguntar.

O nada se encontra, assim, como um exercício dialético entre o que é e o que não é, entre o que cumpre ser e o que não será. E um exercício dialético é, no mínimo, uma busca. No caso, dentro do nada.

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