Minimum

Eu quero o mínimo! Se sou aluno, quero estudar o mínimo. Se trabalho, quero trabalhar o mínimo. Se sou devedor, quero pagar o mínimo. Se há qualquer esforço pela frente, que ele seja o mínimo. Quero mínimas obrigações, e meu respeito pelos Outros é, preferencialmente, o mínimo.

Os medíocres  adoram o mínimo, quando se trata de cooperar, trabalhar, ajudar, ou fazer qualquer esforço. Dias desses estava na escola, cumprindo três turnos de trabalho, manhã, tarde e noite. Um dos colegas saiu, terminado o turno da tarde, aos berros, lá da sala dos professores:

– Vou embora pra casa! Os trouxas que fiquem!!!!!!!!

É o retrato acabado do medíocre. Para tal tipo de vírus social, os outros sempre são os idiotas, os estúpidos; por sua vez, todos devem ao medíocre. Para ele os demais são obrigados a aguentar seus abusos, incômodos e seus ataques de histeria, pois o mundo lhe deve, a sociedade lhe deve, pois os mesmos são o centro do mundo. Mais um pouco e o universo existe para eles, de modo que todos lhe devem favores, atenção. Suas palavras são aquelas sem as quais o interessante não ocorre.

O medíocre, por seu turno, tem de saber, indagar e, no mínimo, procurar utilizar-se das informações a respeito de qualquer outro, especialmente se esse outro não faz parte da mesma tribo. Uma vez sabidas, ele arquivará em sua mente tais informações para, aos berros, sacudí-la ao mundo (mesmo que este não esteja interessado) assim que entender que o seu interesse ou mesmo a sua palavra não é a final.

O outro tipo de vírus é o medíocre aproveitador. Esse não perde um momento, um instante, uma mínima (tudo nele é mínimo) oportunidade para descartar-se de algo que tenha de fazer, de modo que outro o faça. Usa desde a calúnia até a mais nojenta bajulação para tanto, desde que outro se encarregue do que ele deveria fazer.

Para o medíocre sempre o seu argumento é o melhor, e qualquer outro que não pense assim é vítima, passa a ser alvo. O medíocre normalmente é conservador (o que, absolutamente não significa que todo conservador é medíocre, longe de mim pensar ou escrever isso!) não porque pense que é o melhor, mas simplesmente porque o seu pensamento não passsa longe das obviedades que dizemos todos os dias. O problema é que o medíocre não apenas acredita, mas sustenta a sua linha de raciocínio e de argumentação dessa maneira.

Ah, sim,  o medíocre sempre está sendo vítima de um complô, de uma perseguição, de uma intifada. Sempre os outros, os maldosos, os bandidos, perseguem o medíocre, que estará sempre sendo acuado, molestado, incomodado. O medíocre sempre trabalha mais que os outros, sempre é mais esperto que os outros e sempre vê nos outros um bando de incompetentes. É claro que se ele trabalhasse com Einstein, teria sido ele ou a descobrir o quarto estado da matéria ou iniciaria um bate-boca a respeito da teoria da relatividade. Por vezes, inclusive, o medíocre se traveste em bobo da corte. Ele pensa que as pessoas riem do que ele diz, mas, não raro, elas riem do ridículo que ele propõe, e dele mesmo por se colocar voluntariamente como ridículo. Mas, óbvio, ele não se dá conta…

Mas não nos ocupemos muito desse assunto: já deveríamos ter aprendido que tudo, absolutamente tudo que ele faz é (muito) (imensamente) melhor do que os outros fazem. Eu e você incluídos…

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