Mais um pouco sobre ócio criativo

O Ócio Criativo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Ócio Criativo é título de um livro do sociólogo do trabalho italiano Domenico De Masi e é também um revolucionário conceito de trabalho que o autor define através da intersecção entre três elementos: trabalho, estudo e jogo.

Trabalho (economia): é o trabalho em si, as funções necessárias ao cumprimento de uma tarefa.

Estudo: é a possibilidade se obter conhecimento através do estudo constante, utilizando os recursos que a sociedade digital proporciona, como o uso da internet, por exemplo.

Jogo: é o espaço lúdico de lazer, brincadeira e convivência que deve estar presente em qualquer atividade que se faça. É a forma de evitar a mecanização do trabalho, dando-lhe “alma”.

Quando o indivíduo consegue unir estes três pontos, ele está praticando o ócio criativo, que é uma experiência única e que proporciona uma melhor adaptação para as necessidades da sociedade pós-industrial, respeitando a individualidade do sujeito e proporcionando mais alegria e produtividade ao próprio trabalho.

No livro, o autor explora temas relativos ao que denominou Sociedade Pós-Industrial considerando, dentre outros, os seguintes aspectos do mundo atual:

Globalização Financeira utilizando as facilidades das telecomunicações modernas e criando desafios para a estabilidade sócio econômica das sociedades nas várias nações, sujeitas a fluxos volumosos e rápidos de capitais financeiros.

Desenvolvimento com baixa geração de emprego e renda, tratado em outro livro do autor Desenvolvimento sem trabalho, o que provoca desafios ao próprio Capitalismo por dificuldades de criação de demanda para o aumento do volume de produção de bens e serviços, sem uma correspondente distribuição de renda para criar os consumidores destes bens e serviços e sem o tratamento dos gargalos ecológicos que podem inviabilizar a própria existência da espécie humana.

Feminilização do mundo profissional gerando tensões nas relações entre os gêneros, educados para exercer determinados papéis que sofrem alterações mais rápidas do que as necessárias alterações de mentalidades para acomodar estas novas expectativas e frustrações de ambos os sexos.

Perda de utilidade das ideologias e crenças tradicionais como reguladoras das relações sociais, sem a substituição por novas construções mentais, emocionais e espirituais que apóiem as decisões e atos entre os indivíduos, que perdem referenciais tradicionais de comportamento e não encontram substitutos para estes referenciais não mais aplicáveis.

Dificuldades em integrar os sujeitos sociais emergentes nas relações estabelecidas entre os atores sociais tradicionais.

As mudanças acima geram uma profunda insatisfação, segundo o autor, derivada do modelo Ocidental muito focado na idolatria do trabalho, do mercado e da competitividade. Como alternativa propõe um modelo centrado em outras premissas, tais como:

Estruturação das atividades humanas em uma combinação equilibrada de trabalho, estudo e lazer.

Valorização e enriquecimento do tempo livre, decorrente de alta disponibilidade financeira para alguns e redução do tempo demandado de trabalho para muitos.

Aperfeiçoar o processo de produção e distribuição da riqueza decorrente dos grandes aumentos de produtividade derivados dos rápidos, e em aceleração, avanços do conhecimento e criatividade humana.

Distribuição consciente do tempo, do trabalho, da riqueza, do saber e do poder, minimizando as fontes de conflitos entre pessoas e grupos.

Valorização das necessidades reais das pessoas educando os indivíduos e as sociedades para a importância das necessidades básicas, tais como a introspecção, o convívio, a amizade, o amor e as atividades lúdicas. Com isto ficariam em segundo plano as necessidades criadas pela propaganda e pela busca de status.

Bibliografia
Masi, Domenico de – O Ócio Criativo – Rio de Janeiro – Sextante – 2000 – 328 páginas

Ligações externas

Época Negócios: Só as empresas ainda não perceberam

Outras perguntas respondidas por Domenico de Masi exclusivamente no site – Época Negócios

Entrevista com Mario Persona

Folha Online: Para Domenico De Masi, Brasil possui “cultura do equilíbrio”

Resumo livro – O Ócio Criativo – De Masi

Sinopse do livro – O Ócio Criativo – De Masi

O Ócio Criativo – Sinopse e Resumo do livro
(Domenico De Masi)

SINOPSE DA OBRA O ÓCIO CRIATIVO DE DOMENICO DE MASI

1. PROPOSTA DA OBRA

A proposta do autor é defender uma teoria onde o futuro é de quem praticará “O ÓCIO CRIATIVO”, ou seja, pertence a quem souber libertar-se da idéia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de mesclar atividades, como o trabalho, o tempo livre e o estudo.

2. ARGUMENTAÇÃO DO AUTOR

Este livro-revista (assim define o próprio autor) permitiu ao De Masi explicar de forma completa e orgânica o seu pensamento sobre o trabalho, o tempo livre e a evolução da nossa sociedade. Nele, o autor elabora de forma acessível os temas da sociedade pós-industrial, do desenvolvimento sem emprego, da globalização, da feminilização, do declínio das ideologias tradicionais, dos sujeitos sociais emergentes, da criatividade e do tempo livre.

O pano de fundo desta obra é uma profunda insatisfação que o autor tem com o modelo social elaborado pelo Ocidente, sobretudo pelos Estados Unidos, que é centrado na idolatria do trabalho, do mercado e da competitividade. A este, De Masi contrapõe um novo modelo atento não só a uma produção eficiente, mas também a uma distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder.

O autor defende que a confiança nas novas tecnologias nos oferecerá maior ócio e que a esperança nas novas biologias nos concederão maior longevidade.Prevê que em médio prazo o tempo de trabalho será reduzido e conduzido, na sua maior parte, pelo tele-trabalho, ou seja, realizado de casa, onde a tendência é aumentar o tempo livre.

3. CONCLUSÃO

Pode-se concluir que o autor em sua obra “O ÓCIO CRIATIVO” mostra uma visão do que pode vir a ser a sociedade pós-industrial, tendo uma distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder. Insatisfeito com o modelo social centrado na idolatria do trabalho, ele propõe uma maior interação entre o trabalho, o tempo livre e o estudo, onde os indivíduos são educados a privilegiar a satisfação de necessidades radicais, como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas e a convivência.

Segundo o autor, “o ócio pode transformar-se em violência, neurose, vício e preguiça, mas pode também se elevar para arte, para a criatividade e para a liberdade. É no tempo livre que passamos a maior parte de nossos dias e é nele que devemos concentrar nossas potencialidades”.

De Masi compara, ao mesmo tempo em que sugere uma semelhança na ética do trabalho com a ética do ócio.

Longe de ser anacrônica, a teoria do autor já encontra adeptos em todo mundo.

Inclusive nas grandes empresas há casos de empregados que desenvolvem suas atividades em casa ou mesmo possuem horários de trabalho totalmente flexíveis.

Anexos

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