Nem com GPS

Entrei em uma turma para dar aula de matemática. Poucos alunos. No quadro verde, estava escrito:

“16 04 2010 Português”

Na sequencia escrevi, de improviso:

“16 04 2010 Português nasceu em  Coimbra,  tendo emigrado e  adotado o Brasil como sua pátria; logo depois  algo mudou em sua alma. Se achou bem mais brasileiro do que lusitano. comprou um bar no Rio, torce pelo Vasco, ama bacalhoada e a mulata – ah, a mulata! – continua sendo seu sonho. Ora, português, avia-te!”

Olhei para os alunos e disse: “-Quando lemos, sempre temos o que escrever”. Oito pares de olhos me fitaram, e eu tive a certeza de que o meu improviso, que o meu pequeno drible à monotonia não havia sido sequer registrado.

As escolas, os alunos, cadê a criatividade?

Cadê o jogo de corpo, a graça, o chamado tirocínio?

Não sei; só sei que ele se perdeu e, segundo me contaram, está muito difícil de encontrar o caminho de volta.

Nem com GPS.

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