Declaração tardia

Não sou um homem bonito, desses que atraem os olhares femininos de modo quase que automático. Em suma, a minha aparência não me torna um objeto de desejo momentâneo. Se já maduro sou assim, quando adolescente também era. Portanto, não tive relações amorosas com mulheres lindíssimas. As pré-modelos passaram longe de mim, deixando-me, às vezes angustiado, especialmente em uma fase de vida na qual muito se diz e pouco se faz. Pois justo por me relacionar não com a beleza em si, mas com o melhor das pessoas é que fui desenvolvendo, aos poucos, o sentido de que, em verdade, eu namorava sim mulheres fortes, mulheres com inteligência, criativas e amorosas. A amorosidade sempre preside relações nas quais o efêmero não é posto como valor absoluto.

Isso fez com que eu ficasse cada vez mais seletivo, que cada vez ficasse mais bem humorado e tivesse, através do contato com o mundo feminino, uma visão diferenciada – ou pelo menos mais balanceada – da vida, embora, evidentemente, me tornasse menos flexível às bobagens que escuto e às conversas fúteis com as quais sou obrigado a conviver. Qualificar uma visão melhor de mundo, misturando o feminino ao masculino, a curva à reta, a sensibilidade à razão, talvez essa tenha sido a melhor herança que me deixaram as mulheres com as quais mantive amizade, aquelas que amei e, mesmo, àquelas que me relegaram ao sempre possível nicho do esquecimento.

Beijo grande. Amo vocês.

HILTON BESNOS

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