Tem anjos que se afastam momentaneamente de quem devam proteger, mas só o fazem porque conhecem já muito bem seus protegidos. Com o tempo os anjos, que sabem muito mais do que nós, terminam por conhecer todas as nossas idiossincrasias, medos, solidões e agonias. Talvez por isso nos deixem de vez em quando, indo procurar outras pessoas, seja porque não as conhecem tão bem seja por saberem que as mesmas necessitam um pouquinho mais deles do que nós próprios.
De quando em quando os anjos, espíritos etéreos, ficam por aqui, por ali, saltitando entre árvores, brincando com os nossos sorrisos e nos despenteando os cabelos. É claro que eles não podem interferir em nossas escolhas, pois estas são feitas sempre visando a nossos próprios aprendizados. E anjos não interferem em aprendizados, porque as nossas escolhas são orientadas em razão do que devemos conhecer, de acordo com nossa preparação para sermos pessoas melhores, espíritos mais elevados.
Por sermos humanos, perdidos muitas vezes em nossos projetos, em nossas expectativas, em nossos desejos e em nossas humildades, achamos que nosso Anjo nos abandonou. Quando pensamos assim, nosso Guardador se entristece um pouco, e, sacudindo a cabeça, reflete que ainda temos muito a aprender.  Mas ele permanece sempre por perto, e nos mostra a luz do dia, e nos enternece ante os finais de tarde e nos mostra como somos instáveis aos nos alegrarmos e, em seguida, nos chatearmos com detalhes que não são oriundos do nada, mas que, de certa forma, trouxemos para nós.
Quando nosso anjo se afasta, faz como se fosse um pai ou uma mãe observando os filhos no processo de aprenderem a andar e é claro que, se existem tropeços, aos pais não cabe interferir para não amedrontar quem deve aprender por si próprio (as aprendizagens são sempre individuais), por outro lado é necessário mais que um olhar para proteger, e os pais o fazem, mas somente quando é necessário.
O fato de os filhos não entenderem tal cenário não significa que ele não exista.
O tempo, que a tudo observa, lentamente escoa durante tal aprendizagem. Anos? O que são anos, senão apenas convenções, pedaços de tempo que o homem tenta aprisionar e domesticar, para suas conveniências, enquanto o Tempo condói-se de tamanho esforço tolo?
Anjos e Tempo, sentados lado a lado, vêem seus filhos crescerem em dimensões humanas e, portanto, em falibilidades, preparando, contudo, um espírito novo que cresce em circunstâncias as quais desconhecemos.
O Anjo que está em você não te abandona, e existia como uma dádiva de Deus, como um sopro de luz. Ele habita o teu coração e zela pelo teu sono e quando as dúvidas e as melancolias acudirem, não te preocupes: são deles tais sopros, assim como é o vôo do pássaro que o ensina a conhecer os caminhos do vento.
HILTON BESNOS

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