Menegat, LIAU e as cidades

Semana passada, quinta-feira, dia oito de novembro houve, aqui na Chico Mendes, uma formação de nota, talvez a melhor que eu já tenha assistido nessa escola: o Prof. Rualdo Menegat, doutor da UFRGS na área de Geociências e organizador do Atlas Ambiental de Porto Alegre, palestrou sobre autossustentabilidade das cidades e questões como meio-ambiente e educação.

Abordou alguns pontos fundamentais para o entendimento das mesmas como uma entidade que funciona em rede: as questões da forma da cidade, em especial as contribuições de Ur e das matrizes de cidades em forma de tabuleiro, adotadas pelos romanos, as cidades-estado dos gregos e tais contribuições para as cidades que foram surgindo em diversos pontos do mundo, como Paris, New Orleans, São Paulo, México, Rio de Janeiro e muitas outras.

Além disso, falou também sobre a distribuição do metabolismo das cidades, papel relevante do planejamento (na maior das vezes precária ou insuficiente) e do tratamento dos eflúvios, dos materiais não aproveitados pelas mesmas, no que concerne ao problema cada vez mais emergente referente ao lixo e à implantação de projetos que sejam socialmente e economicamente autossustentáveis; outro ponto abordado foi a cidade enquanto território e paisagem multicultural e cognitivamente ativo, dizendo das influências que as diversas culturas e comunidades emprestam às mesmas e, por último, como fecho, o Prof. Rualdo Menegat expôs suas idéias a respeito do que seria uma cidade cognitivamente significativa.

A palestra veio no bojo da expectativa de que esta escola crie seu LIAU – Laboratório de Inteligência de Ambiente Urbano, o que seria ótimo, visto que, por enquanto, temos notícia de que apenas outra escola do Município – EMEF Judith Macedo de Araújo possui um LIAU, projeto, aliás, desenvolvido especialmente pela excepcional Educadora de Geografia Cleonice G., que inclusive já ganhou um prêmio nacional (Professor Nota 10 da Revista Nova Escola da Abril Cultural) e da qual conto com amizade especial, desde quando trabalhávamos na EMEF Mariano Beck.

Alunos da Chico Mendes, participantes do projeto Com-Vida, tendo visitado a EMEF Judith Macedo de Araújo buscam agora, com o apoio de um pequeno grupo de professores, implantar o Laboratório aqui na Chico Mendes, o que, em meu entendimento, seria ótimo. No LIAU os próprios alunos são multiplicadores de conhecimentos sobre ecologia e sobre as questões que o Prof. Rualdo explicitou como problemas de metabolismo das cidades, ou seja, que destinos dar àqueles materiais que não são utilizados e que, muitas vezes sem tratamento, irão engrossas as toneladas de lixos em locais muitas vezes expostos à céu aberto.

São Paulo, por exemplo, já tem usinas de tratamento de lixo que, a partir do gás metano natural proveniente desse lixo, implementam a geração de eletricidade suficiente para dar conta da demanda de uma pequena cidade.Se isso, agora é apenas um sonho, por outro lado muitas famílias já vivem economicamente das possibilidades financeiras da reciclagem de materiais, inclusive de lixo. Aqui próximo, praticamente ao lado da EMEF Mariano Beck, há uma oficina de reciclagem, que traz oportunidade àqueles que lá trabalham de implementar uma renda que, não raro, atende a toda a família.

Projetos como o LIAU serão, em meu entendimento, sempre bem-vindos. São práticos, sustentáveis e ajudam a criar um espírito de significância ao entendimento da cidade como um organismo que, mais do que uma morada para milhares de pessoas, também deve receber um olhar mais atento para seu próprio funcionamento. E incentivar isso, através da educação, talvez seja uma das tarefas às quais mais deva se dedicar a escola, pelo seu efeito multiplicador e pela sua efetiva ajuda no que concerne a formar uma consciência cidadã e participativa.

Além do que, implementar soluções que possam aproximar a escola da comunidade sempre é algo que valoriza não somente a última, mas, especialmente a relação entre esta e o entorno social em que se encontra.Na mesma tarde, a Chico Mendes iniciou oficialmente seu projeto de separação do lixo seco e do lixo orgânico, com uma especialíssima atenção da Educadora Adriane, responsável por uma turma B 30 das séries iniciais da Escola. Presidente do Conselho Escolar, com seu trabalho motivou os alunos para que fizessem uma apresentação para a escola e, especialmente, trouxe à tona a importância de ações na escola, como a separação do lixo seco e orgânico, apontando para a influência que as próprias crianças podem ter na comunidade, inclusive em relação àquelas famílias que tem na coleta e na separação do lixo uma forma (muitas vezes a única) de renda.

Incentivar tais ações é prestar um pouco mais de atenção ao meio ambiente e buscar (in) formar ao educando que a consciência ecológica não é apenas um discurso, mas uma necessidade cada vez mais premente, por todos os motivos que conhecemos e que, aqui, é desnecessário discorrer.HILTON BESNOS

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