A mesa ouija

Estou lendo “A estrada da noite”, de Joe Hill (título original Heart-Shaped Box, 2007, ed. Sextante). O enredo da história não tem grandes novidades, e as vezes tenho a nítida impressão de que estou lendo um roteiro de filme que, em seguida será lançado no mundo todo. Como o tema do livro é a luta entre um casal não muito convencional e um fantasma, novamente surge, inconfundível, a mesa ouija. Fiz uma pesquisa muito rápida porque invariavelmente ela aparece em vários títulos de livros e de filmes de terror. Afinal, o que é uma mesa ouija? Segundo o que aprendi, é um equipamento pelo qual pessoas podem se comunicar com espíritos, seguindo determinadas regras. Até aí, nada muito específico para você, ilustre leitor desse blog. Parece, isso sim, que a mesa ouija é um atalho, um acesso direto a um mundo que chamamos de transcendente. Nessas breves pesquisas, há relatos de pessoas que tiveram graves problemas após utilizar tal caminho, de outras que não apresentaram qualquer problema no uso do equipamento e de outras que inclusive brincam e debocham do mesmo, em relatos das mais diversas ordens.

Eu sou um ignorante no assunto, mas não creio que qualquer sinal de transcendência deva ser tratado com desrespeito e, especialmente como se fosse uma brincadeira de finais de semana entre pessoas que querem “curtir” uma diferente. Se a mesa ouija (alguns chamam de Tábua Ouija) lida ou pode lidar com espíritos, é necessário encarar o assunto com respeito e com um mínimo de conhecimento.

Aliás, essa é uma das fundamentais diferenças entre conhecimento e informação. Conhecimento é informação amadurecida, e qualquer assunto de qualquer natureza deve ser tratado com amadurecimento. Assim noto que a mesa passou a ser algo tão banalizado quanto qualquer outro tema. Não gosto disso. Não gosto de reducionismos e tenho um profundo respeito às religiões, mesmo que Marx as tenha denominado de “ópio do povo”. Respeito aquilo que se chama de sentido, sentimento religioso. E, cá pra nós, utilizar como um clichê algo que pode nos colocar em contato direto (segundo dizem os entendidos no assunto) com outras esferas e, portanto, outros cenários sem que tenhamos já amadurecido um conhecimento sobre o assunto, me parece mais jogada de marketing ou um profundo desrespeito com as significâncias e significados que as pessoas cultuam em seus relacionamentos com o exotérico.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s