São, São Paulo mon amour

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Foto: praça da Sé, da escadaria da catedral. Foto Hilton

2008

Em 18 de fevereiro embarquei de Fortaleza para São Paulo, tendo regressado em 23 de fevereiro para Porto Alegre.

São Paulo me encanta por tudo que sabemos a respeito dela: diversidade, arquitetura, cultura, possibilidades, surpresas de todas as ordens. É claro que muitos dizem: também violência, correria, trânsito caótico. Alguns falam que São Paulo é ótimo, desde que você viva em algum bairro privilegiado, o que se aplica a qualquer cidade, seja pequena, média ou grande. São Paulo, contudo, é uma megalópole, e essa é a diferença. Passeei pelo centro de São Paulo, passeei pela Paulista, fui a Museus, circulei entre pessoas, perguntei muito em bancas de revistas: qual o ônibus, como faço para ir para, como faço para voltar, etc. Sempre me responderam com atenção. Aliás, uma sugestão: se você estiver em uma cidade desconhecida, sempre pergunte ou em bancas, ou para policiais. Pelo menos eu não tive qualquer problema.

Andei muito por São Paulo. De Vila Olímpia para o Parque Ibirapuera, deste para a Av. Paulista e nesta, para o Conjunto Nacional, onde fui até o Café Viena. Pelas três da tarde, ônibus até a Estação da Luz e uma surpresa maravilhosa: o Museu da Língua Portuguesa, simplesmente imperdível, como, aliás, é a própria arquitetura da Estação da Luz. Depois, Parque da Luz, ao lado da Estação. Após, encontro com meu grande amigo Zé, para essas coisas triviais, como um lanche delicioso regado a várias Bohemia geladas, isso na Vila Mariana, no Bar Salve Jorge. Aliás, uma história interessante, porque o dono do bar é argentino, e, pelo menos aqueles quarteirões lembram muito o imaginário de La Boca. Um cenário delicioso, convidando a papos que se estendem noite adentro.

Dia seguinte (20), fui a pé do Hotel até o centro, sempre pela Rudge, que se transforma na Rio Branco. Ao meio do caminho, uma surpresa: o CRE Mário Covas (Centro de Referência Educacional Mário Covas), que fica na Rutge. Ando e, quando me dou por conta, estou passando por uma das maiores instituições que se dedicam à educação neste país. Automaticamente entrei e, novamente, muita sorte! Foi ali, no CRE que conheci um pouco da história da educação de São Paulo, guiado pelas mãos e pelo conhecimento consistente e conseqüente de Diógenes Nicolau Lawand, responsável justamente pelo Memorial do Museu. Ali fiquei no mínimo duas horas, conversando, trocando experiências e idéias sobre educação, mas ficou clara a sensação de que eu e Diógenes estávamos apenas colocando um ponto inicial em um mundo que se chama educação. Sorte minha, não é todo dia que encontramos um expertise.

Dia seguinte foi o de visitar a Praça da Sé, admirar a arquitetura e o interior da Catedral da Sé e depois, a passo, ir à Praça da Liberdade, onde almocei no Banri, logo no segundo ou terceiro quarteirão. Leitão agridoce foi o pedido, algo dos deuses. Depois, bem depois, após ter explorado o bairro, peguei o metrô na Estação da Sé e desci na Tiradentes onde, novamente, fui à nova farra etílico-cultural com meu amigo…muitas conversas, várias delícias por aqui e ali.

No dia 21 meu amigo havia viajado. Novamente fiz o percurso do Hotel ao centro e lá, após algumas pesquisas, decidi ir ao Museu Ipiranga, depois de ter ajustado o horário do ônibus executivo que me levaria, 23, para Guarulhos, partindo da Praça da República. O Museu Ipiranga é indescritível, é um palácio que fica em meio a um parque maravilhoso. É nosso Versailles, construído em 1888. Atualmente é chamado Museu Paulista, administrado pela USP. No momento em que estava visitando, aproximei-me de um grupo de estudantes de artes que estavam realizando uma visita guiada, o que me trouxe informações sobre estilos de pintura e modos de realizar as mesmas que eu não teria como aprender, especialmente sobre intencionalidades e sobre como, através da pintura, construir tipos heróicos ou mitológicos. Depois fiquei um bom tempo simplesmente admirando as salas, separadas por assuntos, como estilos de vida das classes burguesas em São Paulo no século XIX, a influência francêsa no Brasil, liteiras, carruagens, vida social, vida econômica, música, cultura, etc.

Retornando para o centro, com ônibus elétrico, fui novamente à Sé e, de lá, ao Patteo do Collegio, que abriga o Museu Anchieta, considerado o local onde nasceu São Paulo. O museu se localiza em um largo cercado por construções que mesclam o século XIX e o mais moderno. Foi ali que tive um choque grande: ao degustar um cafezinho na belíssima cafeteria do Museu, constatei um problema com o chip da minha digital, o que fez com que eu perdesse muitas fotos de grande valor estimativo, algumas de Fortaleza, outras de São Paulo.

No dia seguinte andei demais: resolvi vagar pela Rudge, ir até ao Bom Retiro, simplesmente andar, olhar as pessoas, os prédios, entrar em cafeterias, aproveitando meu último dia em São Paulo. No Bom Retiro um comerciante me aconselhou a visitar o Museu da América Latina, mas disse que estava bem longe: talvez uns sete quilômetros de distância. O que faz um caminhante? Caminha, e decidi ir até lá: muitas ruas e quarteirões, duas avenidas e uma passarela, além de muito tempo depois, cheguei ao Museu. À entrada encontra-se o pavilhão Simón Bolivar, onde havia dois eventos: a posse dos novos membros do Conselho Estadual dos Idosos (sem trocadilhos,óbvio…) e uma exposição da atual minisérie da Globo: Caros Amigos. No outro pavilhão, o Pavilhão da Criatividade Darcy Ribeiro, uma mostra permanente sobre países, costumes, vestimentas, lendas dos países da América Latina mais o México. Impressionante, visualmente atraente, não dá qualquer vontade de sair. Ali conheci Zuleide, de Manaus e Keity, de São Paulo. Espero que continuemos a conversar. Mais tarde resolvi retornar para o centro: apanhei o metrô Barra  Funda e desci na Sé. De lá, fui visitar o Mercado Público Municipal, uma obra de arte que abriga um enorme movimento de pessoas, de cheiros, de alimentos. Um lanche ótimo me esperava no primeiro andar.

Caminhei, passeei mais, resolvi voltar a pé para o Hotel. No dia anterior a chuva havia provocado mortes e prejuízos em São Paulo, especialmente na região do ABC. Dia seguinte, volaria para Porto Alegre, num 737. Andando, com os pensamentos em ordem, com muito para lembrar e pensar, concluí: São Paulo é, sem dúvida, uma essência de humanidade dentro de suas contradições e de seu trânsito caótico. Há muita vida por trás dos noticiários de televisão.

Os locais que eu visitei:

http://www.estacaodaluz.org.br/

http://www.pateodocollegio.com.br/newsite/

http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.b324028ce888528e74114510c1108a0c/?vgnextoid=822a982584f79010VgnVCM2000000301a8c0RCRD

http://www.mp.usp.br/

HILTON BESNOS

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