Geração Y

 

Geração Y muda estratégia no mercado de trabalho, by FinancialWeb, publicado  em 04/01/2010

“Os dados apontam para uma mudança importante de cenário. Se antes as empresas se preocupavam em buscar bons profissionais no mercado, hoje a atenção está voltada para a identificação de talentos e desenvolvimento de pessoas na própria equipe”, analisou Sérgio Averbach, presidente da Korn/Ferry para a América do Sul.

De acordo com os CEOs entrevistados, entre os principais motivos para este novo foco está a chegada da geração Y, pessoas que nasceram após 1980, ao mercado de trabalho. Esses profissionais são responsáveis por mudanças mais frequentes e profundas nas relações com as empresas. Para 16% dos participantes da pesquisa, esse grupo é responsável pelo aumento da distância entre indivíduos e organização, por conta de uma ligação menor com o trabalho. Já 10% dos entrevistados afirmam que esse tipo de colaborador apresenta mais equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Neste cenário, a necessidade de compreender a diferença entre engajamento e lealdade torna-se crítica para as empresas. Para Averbach, colaboradores mais antigos podem ser vistos como mais leais e menos engajados em mudanças ou em esforços de transformação. O oposto acontece com os jovens da geração Y“A chave está em entender as diferenças e investir na implementação de programas de desenvolvimento de carreiras que enderecem claramente as especificidades de cada perfil e equipe, sempre de olho na retenção dos principais talentos – e com atenção especial aos potenciais”, afirmou. ” 

Minha Consulta ao site referido foi feita em 18/11/2010, às 20h15min. Fonte internet: http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=64062

E a geração Y? O que é e a que vem? Pelo que me consta, é o retrato acabado do pós-moderno. Não pensam em carreiras prolongadas, tendo uma noção mais refinada do que seja o tempo posto no trabalho e o exercido no lazer, misturando trabalho e prazeres pessoais. Uma outra característica é a intensa criatividade e não ter medo de propor novas alternativas dentro de um quadro de estabilidade que muitas vezes deixa passar novas chances de melhor gerenciamento e possibilidades de estabelecer negócios.

Há um certo desconforto que, em princípio é entendido como geracional, quando quadros mais antigos se vêem ou se acham confrontados com jovens talentos que não possuem uma história dentro de uma organização formal. Penso que não se trata somente de um choque geracional; há mais do que isso. Ontem à noite, assistindo a Globo, vem o Sardenberg, com seus indefectíveis gráficos e coloca uma pesquisa (atenção para a expressão mágica, senhores e senhoras) segundo a qual o salário vem em quinto lugar na preferência do povo da Geração Y. Desconfio que não, mas os itens anteriores se referem à satisfação pessoal, ao sentir-se bem e, se explorarmos melhor, diz mais respeito a conferir um significado e sentido diferentes em relação a atividade produtiva, não dentro de uma noção de construção linear de uma carreira abrir aspas bem sucedida fechar aspas, cujo ápice seria o ansiado trinomio segurança –  recompensação financeira – posto de gerência.  Claro que há tensões entre os que construíram uma carreira, chamados de geração X e um jovem semi-novato que já ingressa na empresa dentro de uma posição de maior prestígio e visibilidade.  Os da geração X se sentem no mínimo injustiçados e por aí vai. Essa seria uma óbvia questão de desajustes entre os que tendem à construir uma carreira, e em razão da mesma, pleiteiam ascenção profissional e se vêem surpreendidos quando alguém jovem assume tais posições e, óbvio,  subordinam os primeiros.

Não é uma situação fácil ou agradável de ser encarada, podendo gerar desinteresse por parte da geração X em relação ao próprio trabalho, boicotes mais ou menos graves, mas normalmente dispersos, uma crise institucional na empresa ou o afastamento de pessoas que se consideravam, até a ascenção da geração Y, intocáveis. Mais do que discursos, a geração Y carrega consigo atualização profissional, cursos universitários e uma especial predileção para um aprendizado extensivo. Não morrerão pela empresa e quando se aposentarem, não se sentirão mortos-vivos, duentes vagando por aí à espera da morte, nem aporrinharão à si mesmos e aos demais com seus achaques. A geração Y não fará isso, pelo menos é o que entendo, porque não erigiram o trabalho como valor máximo e virtuoso em suas vidas; tendo maior formação cultural, entendem melhor as relações produtivas e o mundo e por isso não sentirão tanto as angústias típicas de quem, por exemplo, se aposenta e não consegue imaginar outra coisa para fazer do que cumprir a rotina forçosa a que se habituou por mais de três ou quatro décadas.

A geração Y igualmente se difere da geração X pela múltipla carta de interesses que evoca à si própria. Vivendo em um mundo simbólico, tecnológico e mutante, não busca a fixidez como um dos seus princípios de atividade produtiva.  Para quem leu Bauman (1) a geração Y é a decorrência lógica de um mundo pontilhista, baseado no consumismo e no descarte, no qual a linearidade é substituída facilmente pela própria (re)construção identitária. Para quem leu De Masi (2) a atividade produtiva mistura-se com a informação midiática, o prazer, o jogo.  Segundo Bauman, a geração Y faz parte de uma nova classe de produção: a dos consumidores em contraste com a dos produtores, com características bastante distantes entre si. Para De Masi, cada vez mais se afirma o tele-trabalho, baseado na informalidade e em novos padrões de produtividade. Para ambos, se aprofundam os dilemas éticos e produtivos quando se pensa em uma sociedade na qual a imagem, a comunicação e as redes de cooperação cada vez mais estendem suas influências. Para Castells (3) vivemos um mundo em que a tecnologia da informática e das comunicações trouxe uma nova forma de as sociedades verem a si mesmas e as relações entre trabalho e cultura.

A geração Y navega nos mares da expansão das redes sociais, da abertura da sociedade do conhecimento, da sinergia do mundo simbólico e, portanto, de um tipo de trabalho que mistura o intelectual com o prazer, com a entrega cada vez maior ao self learning, no qual as possibilidades de aprendizagem absolutamente não se esgotam no mundo catedrático. É ir além do beber da fonte educacional strictu sensu. Tais trabalhadores, assim,  tem uma visão fluida da realidade, bem como uma tendência a uma busca por níveis de educação sequenciados e que proporcionem uma visão mais criticizada da  vida eonomica, cultural e social. Embates continuam existindo, exigências produtivas cada vez mais tendem às vertentes simbólicas do que mecânicas. Somos parte de uma rede e o trabalho alienado e alienante não faz parte dos desejos mais caros de tal geração.  Dufour (4) entende que vivemos uma época na qual os grandes discursos se perderam, com o que, neste ponto, concorda Touraine, o que faz com que o individualismo exacerbado seja cada vez mais valorizado. Voltando a Bauman, em um de seus textos há uma frase que impressiona pela sua clareza fria e articulada: “No mundo do consumo, a solidariedade é o primeiro valor a ser perdido”. Uma crítica? Mais do que isso, para o bem ou para o mal, uma constatação aguda da realidade que o mundo propõe. Se não há mais espaço para a fidelidade pessoal, se há um intercambiar incessante e uma (re)criação identitária que beira a obcessão, menos espaço haverá, no que tange à fidelidade, às empresas.

Sabendo de antemão que empresas particulares tem uma baixa capacidade de proporcionar uma construção de projetos de longo prao (o que não acontecia com a sociedade dos produtores da geração X), cabe à geração Y explorar os seus nichos que se baseiam na multiplicação dos recursos tecnológicos e, portanto, nas multitarefas e no apreço a uma qualidade de vida que não passe, necessariamente, por abdicar de seus valores em razão de promessas vagas de carreiras e de postos de maior visibilidade no mercado. Assim, acumula experiências e forma um capital social que não fica circunscrito especificamente a um determinado sonho. Como um bom financista, percebem que um valor posto para investimento corre menores riscos se for pulverizado. A informação tem a cara da geração Y.

Por outro lado, a aproximação geracional é bem-vinda, a partir do fato de que a experiência  não se dá apenas através da boa-vontade e da carta de serviços oferecidos pelas I.E.S (5); é necessário mais do que isso: a autorização de saberes acumulados e a vivência também são importantes a partir do momento em que é preciso aprender, mesmo como self learning, a refrear a impulsividade e dar uma melhor orientação ao complexo que amalgama a criatividade. É essencial, no processo produtivo, que haja um equilíbrio entre a experiência e o saber institucionalizado, entre a comunicação e a informação fluida do dia-a-dia, entre as técnicas operatórias de marketing e o simples e complexo ato de matutar, entre o arriscar-se e a prudência. Há, portanto, como em tudo que envolve a aprendizagem, seja na escola ou na vida, a necessidade de trocar com o outro. A arrogância da perda de solidariedade, já denunciada por Bauman tem mais do que o prenúncio do aviso: tem a sabedoria do entendimento de que não basta apenas o que formalmente se estabelece, mas que o caráter continua sendo um ponto de indiscutível avanço em toda e qualquer relação, entre elas a que ocorre no meio produtivo.

Por que postar sobre a geração Y? Por que essa reflexão? Porque me dou conta de que valores mudam. Há muitos sinais de que vivemos imersos em um mundo no qual interagem intensamente as gerações Y e X, e que suas posturas e comportamentos realmente diferem. Mas isso é assunto para um próximo post.

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